BAIXA COMPETITIVIDADE - O desafio de exportar para um mundo em crise / Marta Nogueira
A alta do dólar (que subiu 8,15% em janeiro) já favoreceu as exportações brasileiras de alguns setores como o agroindustrial, mas outros como têxtil, calçados, materiais de construção e mármore e granito.
Mas as importações ainda sofrem com a fraca demanda internacional e com a baixa competitividade brasileira. O Ministério da Fazenda deve anunciar nos próximos meses novas medidas de incentivo à exportação. Entidades defendem a simplificação, diminuição da burocracia, ampliação das linhas de financiamento, redução das tributações e organização logística aeroportuária.
De acordo com o presidente da Agência Brasileira de Promoção de exportações e Investimentos (Apex Brasil), Alessandro Teixeira, alguns dos grandes países compradores do Brasil devem apresentar sinais maiores de recuperação apenas no segundo semestre do ano.
Além disso, a superprodução da China, com preços excessivamente baixos, tirou espaço do país no mercado global.
- Melhores políticas de crédito e agilização de linhas do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento) constam no conjunto de ações que devem ser implementados nos próximos meses pelo governo - afirmou Teixeira.
O financiamento do BNDES para a produção e aquisição de máquinas e equipamentos trouxe resultados positivos para o setor. De julho a dezembro, o banco de fomento aprovou R$ 8,360 bilhões, com juros de 4,5%. Mas, segundo especialistas, pequenas mudanças na infraestrutura alfandegária já poderiam tornar as exportações em negócios muito mais atrativos.
Pr opostas A Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) apresentou propostas de melhorias ao governo no ano passado. De acordo com o gerente do Centro Internacional de Negócios do Sistema Firjan, João Paulo Alcântara, as ideias foram bem recebidas e devem ser aproveitadas.
- Observamos boa vontade do governo em ouvir sugestões - observou Alcântara.
Dentre as propostas, está a supervisão aduaneira 24 horas por dia. Hoje, os trâmites funcionam apenas em dias úteis e horários comerciais - Desta forma, muitos produtos ficam à espera no porto e geram custos que poderiam ser evitados facilmente - afirmou Alcântara.
Além disso, há outras reivindicações, como maior organização entre os órgãos aduaneiros. Manifestos de carga por via eletrônica, na entrada e na saída de produtos, sem que as mercadorias precisem ser inspecionadas repetidas vezes. E a aquisição de aparelhos para fiscalização não invasiva, como raios X, que evitarão a abertura e revisão das cargas.
De acordo com o gerente da unidade política e econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco, o comércio exterior bem aproveitado é uma forma de impulsionar o crescimento econômico.
- A indústria interna está operando com capacidade ociosa e atendendo bem à demanda interna - alertou Castelo Branco. - Por isso, basta que tenhamos uma postura mais competitiva, e as empresas brasileiras começarão a exportar mais.
Segundo a diretora de Desenvolvimento do Sistema Firjan, Luciana de Sá, a crise econômica causou a redução da confiança do consumidor e o encarecimento do crédito.
- Mas o emprego não foi tão atingido e o poder de compra se manteve. Isso fez com que a indústria se recuperasse rápido - avaliou a diretora.
Concorrência desleal A Apex divulgou dados alarmantes que mostram o avanço Chinês na América Latina.
De 2002 a 2008, o crescimento das exportações brasileiras na região foi de 27,2%, enquanto o país asiático teve alta de 31%. O temor de economistas é que esta realidade fique mais forte.
Já no ano passado, marcado pela crise, as vendas do Brasil para a América Latina tiveram queda de 31%, enquanto as da China caíram apenas 19%.
- Os chineses, há décadas, já tinham grande produção.
Agora, além dos preços muito baixos, também têm qualidade - declarou Castelo Branco.
Em janeiro, as exportações brasileiras somaram US$ 11,305 bilhões - crescimento de 21,3% em relação ao mesmo mês do ano passado pela média diária.
Fonte: Jornal do Brasil (8/2/2010)
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