TELECOMUNICAÇÕES - British Telecom entra na telefonia fixa no Brasil / Renato Cruz
Empresa tem como foco o mercado de grandes empresas, principalmente multinacionais.
A British Telecom (BT), maior operadora de telecomunicações do Reino Unido, resolveu operar telefonia fixa no Brasil. O serviço, no entanto, será oferecido somente para grandes empresas, por meio de sua unidade BT Global Services. "Com a telefonia fixa, poderemos oferecer um pacote completo de serviços IP (sigla em inglês de protocolo de internet) no Brasil", disse Jacinto Cavestany, vice-presidente da companhia para a Ibéria e América Latina. Anteriormente, a companhia tinha de atender aos seus clientes com linhas de concorrentes como a Oi e a Telefônica.
A BT tem uma licença nacional de telefonia fixa, mas o serviço estará disponível inicialmente só em três cidades: São Paulo, Rio de Janeiro e Curitiba. "Aumentaremos a cobertura de acordo com a demanda", disse Sérgio Paulo Gallindo, diretor geral da BT Brasil. A companhia possui um código de discagem de longa distância, o 47.
Em dezembro, havia 41,7 milhões de telefones fixos em serviço no País, segundo a consultoria Teleco. O mercado ainda é bastante concentrado, com 80% dos acessos nas mãos da Oi e da Telefônica. A entrada da BT nesse mercado não deve mudar muito esse quadro, por causa do foco da companhia em grandes empresas. Mas a licença torna a BT mais competitiva, pois ela deixa de depender dos rivais para oferecer linhas fixas. "Podemos melhorar nossa oferta em qualidade e preço", afirmou Gallindo.
A BT escolheu um fabricante brasileiro, a Trópico, para fornecer o sistema de telefonia fixa, com tecnologia IP. A fabricante fornecerá centrais desenvolvidas e fabricadas no Brasil, e será responsável por operar o sistema, gerenciando as conexões com as outras operadoras fixas e móveis no Brasil e o sistema de bilhetagem, responsável pela cobrança. A proposta da Trópico foi escolhida como a melhor, quando comparada com fornecedores externos.
A divisão latino-americana da BT fatura cerca de US$ 400 milhões por ano. O Brasil conta com um dos quatro centros globais de prestação de serviços da companhia, em Hortolândia, interior de São Paulo. Os outros centros estão localizados na Índia, Hungria e Reino Unido. "A América Latina é um dos motores de crescimento da BT", disse Cavestany.
A companhia tem crescido com rapidez no Brasil. Em 2004, passou de oito para 300 funcionários. Um grande impulso veio com a aquisição da Comsat, em 2007. Atualmente, conta com 600 pessoas no Brasil. "Em seis meses, vamos contratar mais 250 pessoas, e temos o potencial de dobrar em poucos anos", disse o vice-presidente da empresa.
Para completar seu pacote de serviços no País, a BT aguarda a regulamentação das operadoras virtuais de telefonia móvel (MVNOs, na sigla em inglês), pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Isso permitirá à empresa comprar serviços de celular no atacado, das empresas estabelecidas, para revender a seus clientes, sem precisar construir infraestrutura própria.
"Queremos adquirir linhas móveis de dados para revender, oferecendo telefonia via protocolo de internet, como fazemos na rede fixa", explicou Cavestany. "Nos países em que conseguimos isso, foi pela regulamentação." As operadoras móveis não costumam gostar da ideia de usar telefonia via internet em suas redes. "Acontece como aconteceu com as fixas. Não há como evitar."
Entre os clientes brasileiros da BT estão o Pão de Açúcar, a Caixa Econômica Federal e a Petrobrás. Uma estratégia que a empresa busca é crescer sua oferta de serviços para o governo no país, em áreas como saúde, educação e Justiça. A BT é responsável pelo Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido, e tem interesse de trazer a experiência para o Brasil. "É um projeto que vai além dos serviços de telecomunicações", afirmou Cavestany.
PELA REDE
Telefonia IP: A British Telecom oferece seu serviço de telefonia fixa via protocolo de internet (IP, na sigla em inglês). Ou seja, seus clientes tem uma conexão de dados por onde trafegam também as chamadas. Isso permite que ela não precise de uma rede própria, podendo contratar capacidade de dados de terceiros. Mesmo usando a tecnologia IP, a BT tem um plano de numeração e um código de longa distância
MVNO: A operadora móvel virtual não possui rede própria. Ele compra capacidade de outras empresas no atacado para revender para seus clientes, cuidando das áreas comercial e de marketing.
Fonte: O Estado de São Paulo (6/2/2010)
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