
Calçados
O Brasil é o terceiro produtor mundial de calçados, com 800 milhões de pares por ano, superado apenas pela Índia, com 900 milhões, e pela China, com 9 bilhões. Mas embora sejamos grandes produtores e exportadores, a crise econômica mundial enfraqueceu o calçado brasileiro, que, ainda por cima, sofre com a forte concorrência dos importados chineses.
A indústria calçadista gera em torno de 300 mil empregos diretos. Segundo dados da RAIS 2007, o Rio Grande do Sul é responsável por 37% do total de pessoas ocupadas assalariadas na fabricação de calçados, seguido de Ceará e São Paulo com 17% cada, Bahia 9% e Minas Gerais 8%.
| Empresas e Empregados na Fabricação de Calçados por Estado Ano 2007 |
||||
| Estado | Empresas | % Por estado | Emprego | % Por estado |
| Rio Grande do Sul | 2.755 | 35,2% | 111.966 | 37% |
| Ceará | 236 | 3,0% | 52.746 | 17,4% |
| São Paulo | 2.354 | 30,1% | 52.055 | 17,2% |
| Bahia | 106 | 1,4% | 28.134 | 9,3% |
| Minas Gerais | 1.382 | 17,7% | 24.770 | 8,2% |
| Paraíba | 111 | 1,4% | 12.710 | 4,2% |
| Santa Catarina | 307 | 3,9% | 6.880 | 2,3% |
| Sergipe | 15 | 0,2% | 3.001 | 1% |
| Paraná | 138 | 1,8% | 1.999 | 0,7% |
| Pernambuco | 52 | 0,7% | 1.653 | 0,5% |
| Goiás | 170 | 2,2% | 1.463 | 0,5% |
| Rio Grande do Norte | 25 | 0,3% | 1.375 | 0,5% |
| Rio de Janeiro | 64 | 0,8% | 1.323 | 0,4% |
| Espírito Santo | 29 | 0,4% | 1.144 | 0,4% |
| Mato Grosso do Sul | 24 | 0,3% | 1.116 | 0,4% |
| Outros | 62 | 0,8% | 557 | 0,2% |
| Totais | 7.830 | 100% | 302.892 | 100% |
Exportações
No início da década de 90, o Brasil despontava com 78 países com os quais realizava negócios comercializando seus produtos. Em 2000 esse número já aumentava para 99 países de destinos (crescimento de 27% em relação a 1990) e em 2007 para 146 países (crescimento de 87% em relação a 1990). Entre os anos de 2007 e 2008 houve uma pequena redução no número de países de destino de 146 para 141, significando uma redução de 3,4%.
O aumento do preço médio desde 2004 resultando na sustentação do valor exportado enquanto as exportações em volume têm um resultado negativo de 22% entre 2004 e 2008. O valor exportado de 2004 para 2008 é de 1,8 para 1,9 US$ bilhão ante uma redução de 212,5 para 165,8 milhões de pares exportados neste período.
Os principais compradores dos produtos nacionais em 2008 foram os EUA, seguido do Reino Unido, Argentina, Itália e Venezuela.
| Exportações Brasileiras de Calçados / 2008 | ||
| Países | US$ MIL | Pares MIL |
| Estados Unidos | 483.835 | 37.709 |
| Reino Unido | 254.803 | 10.236 |
| Argentina | 192.928 | 18.537 |
| Itália | 149.249 | 7.499 |
| Venezuela | 77.611 | 9.780 |
| Espanha | 58.478 | 4.667 |
| Paises Baixos (Holanda) | 46.034 | 2.208 |
| Portugal | 39.288 | 3.043 |
| França | 37.273 | 2.318 |
| Chile | 35.577 | 2.276 |
| Demais países | 506.231 | 67.519 |
| Total | 1.881.307 | 165.792 |
Dentre os estados exportadores, o Rio Grande do Sul foi responsável por aproximadamente 60% das exportações de calçados brasileiros, sendo seguido por Ceará, São Paulo e Bahia.
| Exportações Brasileiras de Calçados Por Estado 2008 em US$ |
||
| Rio Grande do Sul | 1.117.679.008 | 59,41% |
| Ceará | 346.396.937 | 18,41% |
| São Paulo | 185.442.264 | 9,86% |
| Bahia | 82.649.995 | 4,39% |
| Paraíba | 77.770.609 | 4,13% |
| Minas Gerais | 16.222.762 | 0,86% |
| Sergipe | 14.923.322 | 0,79% |
| Santa Catarina | 11.816.786 | 0,63% |
| Pernambuco | 11.536.912 | 0,61% |
| Paraná | 10.105.211 | 0,54% |
| Demais estados | 6.764.545 | 0,36% |
| Total | 1.881.308.351 | 100,00% |
Informações retiradas do material elaborado pela Abicalçados: www.abicalcados.com.br
Importações
Em 2008 as importações já representaram 24% se comparado sobre as exportações e ocupam uma fatia de 6% do consumo aparente.
Em 1999 o Brasil recebia calçados importados de 45 países, comprando por volta de sete milhões de pares de calçados num total de US$ 50 milhões. Em 2008 estes números se elevaram, uma vez que foram 55 países com os quais o Brasil realizou negócios, importando mais de 39 milhões de pares de calçados a um valor total de US$ 307 milhões. É um crescimento de 460% em pares e 515% em dólares importados na comparação de 1999 a 2008. No comparativo entre 2007 e 2008 o crescimento total foi de 37,2% em pares e 46,8% em US$.
China, Indonésia e Vietnã têm sido os principais vendedores para o mercado brasileiro com um crescimento de destaque para os calçados de origem da China, que em 1999 já representavam uma fatia de mercado de 53,8% do total das importações brasileiras de calçados em pares (3,8 milhões de pares). Hoje, a China representa 85,4% das importações de calçados em pares e 71,1% em dólar. Isso significa 33,6 milhões de pares e 218,7 milhões em US$. Em ritmo semelhante o Vietnã cresceu de 380 mil pares vendidos ao Brasil em 1999 para 3,2 milhões de pares em 2008, ao valor de US$ 3,8 milhões e US$ 47,1 milhões respectivamente.
É importante ainda destacar o crescimento das importações de calçados de outros países como Indonésia, Tailândia e Itália. Este último vem gradativamente aumentando a entrada no mercado brasileiro com um diferencial: calçados de preço médio elevado, diferentemente dos outros países que possuem calçados com preço médio menor. Um exemplo é a China que tem um preço médio do calçado vendido ao Brasil por volta dos US$ 6,5 enquanto a Itália atingiu um preço médio de US$ 114,7 em 2008.
| Importações Brasileiras de Calçados / 2008 | ||
| Países | US$ MIL | Pares MIL |
| China | 218.716 | 33.572 |
| Vietnã | 47.099 | 3.214 |
| Indonésia | 15.460 | 1.027 |
| Itália | 8.567 | 75 |
| Tailândia | 3.920 | 224 |
| Argentina | 3.050 | 192 |
| Taiwan | 2.611 | 262 |
| Espanha | 1.107 | 47 |
| Demais países | 6.932 | 708 |
| Total | 307.462 | 39.321 |
Informações retiradas do material elaborado pela Abicalçados: www.abicalcados.com.br
Balança Comercial
A partir de 2005, houve um movimento contínuo de redução do saldo da balança comercial visto a redução das exportações e um crescimento elevado das importações. O impacto no saldo da balança comercial é revelado pelas quedas consecutivas de 3%, 1,2% e 7,5% nos últimos três anos.
| Balança Comercial Brasileira de Calçados Valores em US$ FOB |
||||
| Ano | Exportação | Importação | Saldo | Corrente de Comércio |
| 2000 | 1.547.304.850 | 43.736.881 | 1.503.567.969 | 1.591.041.731 |
| 2001 | 1.617.201.863 | 50.776.248 | 1.566.425.615 | 1.667.978.111 |
| 2002 | 1.450.974.425 | 44.987.830 | 1.405.986.595 | 1.495.962.255 |
| 2003 | 1.552.074.127 | 47.777.633 | 1.504.296.494 | 1.599.851.760 |
| 2004 | 1.814.011.741 | 65.284.453 | 1.748.727.288 | 1.879.296.194 |
| 2005 | 1.891.559.365 | 115.483.016 | 1.776.076.349 | 2.007.042.381 |
| 2006 | 1.863.119.179 | 140.733.587 | 1.722.385.592 | 2.003.852.766 |
| 2007 | 1.911.750.369 | 209.477.152 | 1.702.273.217 | 2.121.227.521 |
| 2008 | 1.881.308.351 | 307.459.607 | 1.573.848.744 | 2.188.767.958 |
Fontes Consultadas:
Para maiores informações consulte os seguintes materiais elaborados pela Abicalçados:
www.abicalcados.com.br/exportacoes
www.abicalcados.com.br/importacoes
www.abicalcados.com.br/estatistica
Couro
Receita da indústria contabilizou saldo negativo de 14% de janeiro a dezembro
As exportações brasileiras de couros, em 2008, somaram US$ 1,88 bilhão, receita 14% menor em relação a 2007, quando foram movimentados US$ 2,19 bilhões, segundo dados do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), com base no balanço da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Conforme previsto pelo setor, as vendas externas de couros foram reduzidas em mais de US$ 500 milhões, em relação às expectativas originais da indústria curtidora para este período. No tocante aos couros bovinos, as exportações registraram US$ 1,85 bilhão, decréscimo de 14% nos doze meses de 2008.
A despeito da queda dos embarques, a contribuição do setor curtidor para o saldo de US$ 24,73 bilhões da balança comercial brasileira foi expressiva, representando, até dezembro, quase 8% do total.
Exportações de couro
No ano de 2008, os principais destinos do couro brasileiro foram a China e Hong Kong, ambos com US$ 592,77 milhões (31,52% de participação); Itália, com US$ 511,71 milhões (27,22% de participação); e Estados Unidos, US$ 171,66 milhões (9,13%).
De janeiro a dezembro, o Vietnã foi um dos mercados que mais cresceu (66%), somando US$ 89 milhões. Os demais países que adquiriram o produto nacional foram: a Indonésia com um aumento de 12% (US$ 60,3 milhões), México (US$ 47,12 milhões), Alemanha com 23% (US$ 39,7 milhões) e a Noruega com 71%(US$ 30,3 milhões).
Principais estados exportadores
O balanço das vendas externas de couros dos estados brasileiros no acumulado até dezembro, em comparação aos doze meses de 2007, indica que São Paulo continua na liderança estadual (US$ 563,56 milhões, participação de 30% e redução de 28%), seguido pelo Rio Grande do Sul (US$ 509,5 milhões, participação de 27,10% e decréscimo de 4%), Ceará (US$ 186,25milhões, 9,96% e aumento de 30%) e Bahia (US$ 104 milhões, 5,5% e diminuição de 4%). Os demais estados são Paraná (US$ 103,28 milhões), Mato Grosso do Sul (US$ 101,82 milhões), Goiás (US$ 85,43 milhões) e Minas Gerais (US$ 80,2 milhões).
Couro brasileiro movimenta economia, mas exportações estão em queda
A indústria brasileira do couro é um dos grandes motores da economia nacional. A atividade movimenta um PIB de US$ 3,5 bilhões, emprega cerca de 50 mil pessoas e fechou 2008 com embarques de US$ 1,88 bilhão.
O setor, entretanto, começa a viver momentos de dificuldades que resultaram em uma retração dos embarques de couros, no ano passado, em relação a 2007.
Um dos fatores que explicam essa desaceleração é o impacto da crise econômica internacional. "Além disso, o setor também é afetado por uma conjugação de fatores adversos como as altas taxas de juros, burocracia excessiva, precariedade do sistema de infra-estrutura, e, principalmente, falta de capital de juro", diz o presidente do Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), Luiz Bittencourt.
A análise do executivo é confirmada pelo comportamento dos embarques neste início de ano, quando a indústria registrou queda nas exportações da ordem de 58% em comparação a fevereiro de 2008, segundo dados elaborados pela entidade, com base no balanço da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
"O setor de couros está fazendo a lição de casa, adotando medidas para se adequar ao novo cenário econômico, com vistas à manutenção dos mercados duramente conquistados", salienta Bittencourt, lembrando que o segmento investiu cerca de US$ 300 milhões nos últimos anos na modernização e ampliação do parque industrial.
Para contornar esse quadro, o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil está pleiteando, dentre outras medidas, a imediata restituição dos créditos federais e estaduais retidos em operações de exportações; a criação de linhas de crédito para capital de giro puro e a desoneração da produção.
"Tais medidas são importantes para atenuar o impacto negativo da atual conjuntura, evitando a ociosidade industrial e, conseqüentemente, o corte de postos de trabalho", justifica Bittencourt.
Informações retiradas do site do CICB - Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil. Para maiores informações consulte o site www.brazilianleather.com.br.
Notícias do Setor
Logística disputa o setor de calçados / Fabíola Binas
Apesar do baque sofrido pelos fabricantes de calçados com a crise econômica, o setor de logística confia na recuperação da atividade nos próximos meses e prepara uma série de estratégias para incrementar o atendimento do fluxo entre a indústria e os pontos de venda, especialmente no eixo sul-nordeste do País, conforme apurou o DCI.
Empresas como o Rapidão Cometa querem dobrar a participação do segmento nos negócios de transporte e logística, enquanto a Braspress crê que este se tornará o setor mais representativo dentro da companhia, nos próximos dois anos. Já o Expresso Araçatuba, recentemente adquirido pela TNT Mercurio, acaba de dobrar a capacidade de um centro de distribuição em Goiânia (GO), para atender esse setor.
"Os calçados têm sinergias com outras cargas, como as de confecções e os cosméticos", comentou Oswaldo Castro Jr., diretor geral do Expresso Araçatuba. Ele acrescentou ainda que o atendimento ao setor calçadista também complementa as operações da holandesa TNT - atual controladora do Expresso.
O segmento de calçados representa cerca de 20% dos negócios da empresa de entregas, que nasceu na região de um dos maiores pólos calçadistas do País, o interior paulista. O Expresso também tem forte atuação no Sul brasileiro, que concentra boa parte destas indústrias de vestuário.
A companhia mantém dois hubs (centros de distribuição de cargas), que atendem o setor em São Paulo e Goiânia - este último acaba de ser duplicado para intensificar a distribuição das mercadorias por todo o País, em especial para o Norte, Centro-Oeste e Nordeste brasileiros.
"A produção de calçados cresceu também no Nordeste e, por conta deste avanço, o hub em Goiânia teve sua capacidade duplicada", disse Castro Jr. Entre os clientes do Expresso no setor estão Azaléia, Beira Rio e Grendene.
Outros sete segmentos representam 80% do volume de negócios do Expresso Araçatuba, entre informática, eletrônicos, telecomunicações, autopeças e farmacêuticos. O operador atende ainda ao comércio internacional, nos fluxos de importação e exportação de produtos acabados e insumos para a Argentina, Chile, Paraguai, Peru, Uruguai e Bolívia.
Prioridade
Outra companhia que prioriza a distribuição da indústria calçadista para os pontos-de-venda é o Rapidão Cometa, que se diz o o maior operador do Sul para o Nordeste, no segmento. "Esse setor responde por 15% dos negócios e vejo um upgrade em relação à ele", disse Edward Montarroyos, diretor de vendas do Rapidão, ao acrescentar que a intenção é saltar para 30% a participação do setor nos negócios até 2010.
Para o diretor, o setor calçadista tem muito potencial a ser explorado, e ele deseja captar isso. Ele contou que a empresa possui uma retaguarda no Nordeste, sendo que o centro de negociação ainda está no Sul, mesmo com algumas grandes fábricas operando em território nordestino.
O Rapidão também possui forte participação tanto em Franca, como em Birigui, disse Montarroyos. "Antes captávamos no Sul e Sudeste para trazer ao Nordeste.
Porém, hoje fazemos qualquer origem qualquer destino, dentro do objetivo do Rapidão que é se consolidar nacionalmente em todas as regiões brasileiras ", explicou.
No setor calçadista, a empresa tem acesso a fábricas como as da Azaléia, Grendene e Vulcabras. O portfólio de setores inclui ainda áreas como farmacêutica, de informática, autopeças, telecomunicações, cosméticos, confecções e as vendas pela internet (e-commerce).
O Rapidão Cometa atende a quatro mil localidades, em todos os estados, além de mais de 214 países no mundo por meio de acordo operacional com a FedEx. São 12 mil clientes ativos e uma frota de 2,5 mil veículos. A empresa alcançou faturamento de R$ 700 milhões no ano passado.
Braspress
Giuseppe Lumare Jr., executivo de outra gigante nacional na distribuição de encomendas, a Braspress, faz coro com os executivos do segmento ao falar do potencial da prestação de serviços ao setor de calçados. "Já é o nosso terceiro segmento, hoje em franco crescimento, e para o qual estamos nos esforçando para captar mais clientes", falou.
Lumare afirmou que a Braspress é "líder na distribuição para as confecções" e tem boa atuação na informática, mas acredita que no prazo de dois anos o setor de calçados se torne o principal segmento atendido. "Temos sinergias nas rotas onde distribuímos os outros produtos, com concentração em regiões nos pontos comerciais. Além disso, as características dos volumes são parecidas, otimizando o processo de transporte", explicou.
A Braspress mantém 88 filiais, e pretende captar clientes da indústria calçadista no entorno de pólos como o de Novo Hamburgo, no Sul e nas paulistas Franca, Birigui e Araçatuba, além de Divinópolis (MG) para levar os produtos ao resto do País. No passado, a receita da Braspress atingiu R$ 440 milhões. A empresa acaba de investir R$ 35 milhões para inaugurar um terminal no Rio de Janeiro, com potencial de aumentar 10 vezes o potencial de distribuição naquele estado.
Fonte: DCI (1/8/2009)
Medida da Argentina contra calçado chinês pode ajudar Brasil
O governo argentino avalia que a medida antidumping adotada há dez dias contra calçados não esportivos chineses pode eliminar as importações do produto no país, evitando a entrada de cerca de 3 milhões de pares vindos das China. O país vizinho impôs uma taxa adicional de US$ 15,50 para cada par de calçado não esportivo importado do país asiático. A iniciativa visa proteger a indústria calçadista da Argentina e deve favorecer também o Brasil.
Segundo o secretário de Política e Gestão Comercial do Ministério de Produção da Argentina, Eduardo Bianchi, sendo o Brasil muito competitivo nesse segmento de não esportivos, é possível que o calçado brasileiro tire os chineses da concorrência no mercado argentino.
O presidente da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), Heitor Klein, avalia que a medida deve dar mais equilíbrio à concorrência regional. "Eu tenho a mesma expectativa em relação à medida similar que o Brasil deve anunciar em breve", afirma.
Segundo ele, cerca de metade dos calçados brasileiros que seguem para a argentina são não esportivos, o que deve contribuir para reduzir o tombo das exportações do setor para o país vizinho, que diminuíram 34,4% no primeiro semestre deste ano. Acordo fechado pelo setor de ambos os países tem como meta exportações de 15 milhões de calçados brasileiros para a Argentina.
Fonte: Valor Econômico (30/7/2009)
Contra a taxação do couro wet blue / Fabiano Tito Rosa
A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), contando com informações da Scot Consultoria e do CEPEA, produziu um estudo demonstrando que a taxação da exportação de couro wet blue, que atualmente é de 9%, não se justifica sob nenhum aspecto.
O fato é que está sobrando couro cru (peles) no mercado doméstico, tanto é que os preços estão em queda há anos. Precisamos incentivar o uso dessa matéria-prima. E criar mecanismos que dificultem a venda de couro curtido não é, com certeza, a melhor saída.
O Brasil produz mais de 40 milhões de peles por ano, sendo que as indústrias têm capacidade de absorver, no máximo, 15 milhões para a produção de produtos acabados. O restante tem que ser, obrigatoriamente, curtido e exportado.
Não há razão, portanto, para taxar a saída do wet blue. Esse imposto tem servido apenas para reduzir a margem de frigoríficos e curtumes, sendo que a pressão desce a cadeia até chegar ao pecuarista. Este não tem a quem repassá-la, e acaba arcando com o ônus dessa política equivocada.
Há alguns dias apresentamos neste mesmo espaço um estudo demonstrando que o aperto que as indústrias frigoríficas registram hoje em suas margens (no que diz respeito ao mercado doméstico) não se deve à carne e sim ao couro. Veja mais em "O problema da margem da indústria frigorífica não está na carne".
É verdade que o mercado do couro não está frouxo por conta da taxação do wet blue. Mas ela serve para arrochar ainda mais os ganhos de uma cadeia que já está no aperto.
De acordo com a CNA, no início de 2001, o preço que o frigorífico recebia na venda do couro cru (considerando o couro catado, que é o de menor valor) representava quase 13% do valor pago por um boi gordo de 17 arrobas. Em junho deste ano ele equivalia a apenas 0,58% do valor do animal!
Acompanhe na edição 826 do informativo pecuário Boi & Companhia, que circula esta semana, uma síntese do estudo produzido pela CNA.
Fonte: Scot Consultoria (17/7/2009)
Começa produção de fertilizante orgânico usando resíduo de couro
O início das atividades da Ilsa Brasil gera uma mudança radical na imagem da indústria coureira do país, porque os resíduos de couro, até aqui uma ameaça ao meio-ambiente, serão transformados em adubo que ajudará na produção de alimentos orgânicos.
A Ilsa Spa iniciou as suas atividades em Verona, em 1956. Em 1979, se transferiu para Arzignano, no coração do distrito curtidor mais importante do mundo. Isto facilitou o desenvolvimento de uma parceria para o desenvolvimento da tecnologia para a transformação de resíduos de couro em fertilizantes orgânicos, muito valorizados, especialmente na Europa. A missão da empresa é produzir e desenvolver adubos nitrogenados com elevada eficiência nutritiva para a agricultura biológica e especializada. Em 2008, a Ilsa exportou seus produtos para 31 países de cinco continentes. É líder na Itália na produção de adubo orgânico, graças a muito investimento em tecnologia. Do faturamento total da empresa, 8% é destinado para a área de P&D. Na Itália, a capacidade de processamento é de 60 mil toneladas/ano, gerando a produção de 34 mil toneladas/ano de adubo orgânico e 62 mil toneladas/ano de adubo organo-mineral.
Esta bagagem está vindo para o Brasil, com o início das atividades da Ilsa Brasil, cuja unidade produtiva, em Portão, está iniciando as suas operações. A Ilsa Brasil é uma empresa com capital ítalo-brasileiro, constituída em 2008. O foco do investimento da Ilsa no Brasil é oferecer uma alternativa de eliminar o passivo ambiental gerado pelos resíduos de couro curtido, produzindo adubos nitrogenados com elevada eficiência nutritiva para a agricultura biológica.
A unidade de Portão tem capacidade instalada para processar 35 mil toneladas/ano de resíduos, para produzir 20 mil toneladas/ano de adubo orgânico. Isto significa condição de receber todo o resíduo dos setores de couro e de calçados do Rio Grande do Sul, resolvendo o problema de passivo ambiental das empresas fornecedoras.
A Ilsa Brasil já está recebendo resíduos de indústrias de couro e calçados. Contatos podem ser mantidos pelo fone 51 2102-6565 ou pelo e-mail ilsa@ilsabrasil.com.br.
Fonte: Ilsa Brasil (10/7/2009)
Indústrias de componentes para calçados, couro e artefatos apostam na abertura de novos mercados
Assintecal, APEX-Brasil e Ablac realizam diversas ações, entre elas o Projeto Comprador com dez visitantes internacionais e o Fórum de Moda e Marketing
A indústria de componentes para couro, calçados e artefatos tem na Francal - Feira Internacional de Calçados, Acessórios de Moda, Máquinas e Componentes - um de seus principais eventos para promoção comercial e abertura de novos mercados. Por esta razão, a Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal) realiza importantes projetos durante sua 41ª edição, que ocorre entre os dias 14 e 18 de julho, no Parque de Exposições Anhembi, em São Paulo.
Entre as iniciativas destacam-se o Projeto Comprador, espaço Showroom by Brasil, apresentação da coleção Primavera-Verão 2009/2010 do Projeto Ecoshoes e o Fórum de Moda e Marketing, ações que fomentam o design, a inovação e a geração de negócios na feira. A associação contará com a participação de 20 empresas de componentes que irão expor seus produtos em um espaço disponibilizado por meio de uma parceria entre o SEBRAE-RS e a Assintecal.
"Para o setor de componentes, a Francal representa um impulso importante na expansão dos negócios e uma oportunidade de apresentar parte das nossas ações focadas no fortalecimento da cadeia produtiva do setor coureiro-calçadista", destaca o presidente da Assintecal, Luis Cláudio Amaral. A mostra é reconhecida como o evento mais importante da América Latina para os fabricantes brasileiros junto ao mercado interno e o melhor cenário para as relações comerciais com o mercado internacional.
Acompanhe as ações da Assintecal na Francal 2009: Projeto Comprador - Paralelamente à exposição dos produtos, entre os dias 14 e 16 de julho, das 10 às 17 horas, a Assintecal realiza as rodadas de negócios, uma oportunidade para as empresas associadas apresentarem seus produtos para compradores de diversos países. Durante as rodadas, as empresas terão a oportunidade de articular com dez compradores da América Latina, interessados no potencial e qualidade dos componentes brasileiros. A ação tem o apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).
Ecoshoes - No estande institucional da Assintecal será apresentada a Coleção Primavera-Verão 2009/2010 do Projeto Ecoshoes. A coleção dos calçados ecológicos explora a diversidade de materiais quebrando paradigmas e conceitos do mercado calçadista. "A coleção caracteriza-se pela forte presença da criatividade e versatilidade dos materiais. Constituídos por materiais inusitados que fogem da tradicional composição dos calçados", comenta o estilista Walter Rodrigues. O lançamento da coleção corresponde a fase final do projeto, composto por três modelos de calçados femininos, sendo que um deles apresentará duas versões. De acordo com consultora Maria Eugênia Castellanos, responsável pela confecção técnica dos protótipos ecológicos, a produção dos componentes contou com insumos que incluíram desde solventes renováveis até pó de chifre reaproveitado.
Fórum de Moda & Marketing - A Assintecal em parceria com Francal e Associação de Lojistas de Artefatos e Calçados (Ablac) promovem no dia 13 de julho, às 17 horas, a palestra "Ferramenta essencial para a decisão de compra do lojista". A atividade ocorre no salão de eventos do Holiday Inn Hotel, em São Paulo/SP. Proferida pelo Coordenador do Núcleo de Design da Assintecal, o estilista Walter Rodrigues, a palestra discorrerá sobre a pesquisa de inspirações do Primavera/Verão 2010. Através do evento serão apresentados aos lojistas elementos que auxiliarão no processo de decisão de compra das novas coleções primavera-verão dentro da feira.
Lounge by Brasil - Para a comodidade e conforto dos empresários, a Assintecal oferecerá um ambiente climatizado, exclusivo para os associados. Diferenciada, a área vip terá sofás, puffes, água, sucos, frutas, acesso à internet e impressora.
Espaço Show Room By Brasil e estandes comerciais - serão organizados especialmente para apresentar os produtos diferenciados das empresas participantes.
Mais informações sobre a participação da Assintecal na Francal 2009 pelo fone: (51) 3584-5200/ (16) 3723-3335 ou e-mails: feirasnacionais@assintecal.org.br/ atendimentofranca@assintecal.org.br
Fonte: Fator Brasil (9/7/2009)
Brasil "exporta" fábrica de calçado esportivo / Thiago Guimarães
Com a crise, Argentina ampliou restrições a importados; empresas dizem que tiveram de abrir fábricas para chegar ao mercado vizinho.Para calçadistas, Brasil e Argentina estão sendo invadidos por produtos chineses, mas o país vizinho reage mais rapidamente.
Para driblar as dificuldades em colocar seus produtos no mercado argentino, submetido a controle de importações, a indústria brasileira de calçados esportivos invadiu o país vizinho, com investimentos em produção local.
A mais recente empresa brasileira a aportar na Argentina foi a Penalty, que neste mês anunciou investimento de R$ 10,6 milhões para produzir 400 mil pares por ano no país e substituir metade de suas importações, em parceria com um sócio argentino.
"A dificuldade de importar faz com que a única forma de viabilizar o negócio na Argentina seja essa", disse à Folha Alexandre Estefano, diretor internacional da Penalty. A Argentina protege sua indústria de calçados desde 2005 com licenças não automáticas, pelas quais administra os volumes que entram no país. Com o agravamento da crise mundial, o governo Cristina Kirchner reforçou as restrições -segundo a Abicalçados (Associação Brasileira das Indústrias de Calçados), a liberação de licenças de importação para calçados brasileiros tem demorado mais de cem dias.
A participação da Penalty no mercado argentino ronda os 4% -20% da sua produção vai para o vizinho. Segundo Estefano, a transferência da produção não implicará fechamento de linhas no Brasil, que conta com mercado interno em crescimento e outros clientes externos. "Os brasileiros invadiram a produção de calçado esportivo na Argentina", diz. À Penalty somam-se outros fabricantes brasileiros que já se instalaram na Argentina, como Vulcabras, Alpargatas, Paquetá, Aniger e Dilly -os dois últimos são fornecedores da Nike, que patrocinou a entrada das empresas no país vizinho.
Investimentos
Também neste mês, a Nike anunciou aporte de R$ 3,9 milhões para instalar fábrica da Aniger na Argentina e substituir R$ 15 milhões em importações de chuteiras de futebol por ano. "Vamos chegar a 50% de calçados fabricados aqui, em modelo diferente de como a Nike opera no mundo", afirmou Eduardo Mignaquy, da Nike Argentina, ao anunciar o investimento.
A Dilly produz 4.000 pares por dia em fábrica no norte do país, aberta em 2007 e que está contratando mais 250 empregados neste ano. "Estamos na Argentina pelas restrições a importações e por solicitação dos clientes", afirmou Alessandro Dilly, diretor de negócios do grupo Dass, dono da marca. O grupo Dass também planeja transferir em 2010 para a Argentina parte da produção da Tryon, outra de suas marcas.
Segundo o diretor da Tryon, Gabriel Moraes, a empresa exporta hoje cerca de 100 mil pares por mês ao mercado argentino. Com a produção no país, Moraes estima que o volume de venda da Tryon na Argentina triplique. Em maio, a Vulcabras, fabricante das marcas Reebok e Olympikus, inaugurou ampliação da fábrica da Indular, que comprou em 2007, para elevar sua produção de 10 mil para 21 mil pares por dia.
A Alpargatas, que adquiriu sua homônima argentina há dois anos, investe R$ 22 milhões para relançar a marca Topper no país vizinho, e a Paquetá produz Adidas e Diadora na Argentina desde 2007.
Concorrência chinesa
"Essas empresas que se instalaram na Argentina dizem que é impossível produzir no Brasil", afirma o presidente da Abicalçados e da Vulcabras, Milton Cardoso. De acordo com ele, Brasil e Argentina enfrentam "invasão absurda" de calçados chineses, e o governo argentino tem sido mais rápido na adoção de medidas de defesa comercial. Isso, afirma Cardoso, influi na decisão de empresários brasileiros de transferir parte da produção ao país vizinho.
"A área de defesa comercial no Brasil não acompanha o crescimento do comércio brasileiro", critica Cardoso. Segundo a Abicalçados, as importações brasileiras de calçados chineses cresceram 1.150% de 2001 a 2008 -passando de US$ 17,5 milhões para US$ 218,7 milhões.
Apuração preliminar do governo brasileiro apontou margem de dumping (preço abaixo do custo) de 435,7% no preço médio do sapato chinês que chega ao Brasil.
Colaborou Marina Gazzoni
Fonte: Folha de São Paulo (20/6/2009)
Pequena reação nas exportações brasileiras de couro
O Rio Grande do Sul permanece na liderança das exportações brasileiras de couro, respondendo por 27,7% do faturamento com as vendas do país.
Os números de maio das exportações brasileiras de couro, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior - Secex, elaborados pela Associação das Indústrias de Curtume do Rio Grande do Sul - AICSul - apontam um pequeno crescimento nas exportações na comparação com abril. Foi registrado incremento de 11% em termos monetários e de 3% no volume. Porém, ainda é um recuperação muito tímida, porque no acumulado do ano há uma queda de 55% no valor monetário e de 13% no físico. Em relação ao destino, o único destaque positivo é o desempenho nas vendas para a Índia, grande fabricante mundial de calçados e artefatos de couro. Apresenta-se um incremento de 12% no faturamento e de 171% no volume exportado aos indianos. Porém, este país fica apenas com 2,2% dos couros que deixam o Brasil, sendo o 11º maior cliente dos brasileiros. Por estágio, o crescimento mais expressivo em maio, na comparação com abril, é nos couros bovinos acabados (maior valor agregado e prontos para serem utilizados em manufaturados), com alta de 29% no número de couros, passando de 722 mil unidades para 928 mil.
O Rio Grande do Sul permanece na liderança das exportações brasileiras de couro, respondendo por 27,7% do faturamento com as vendas do país. São Paulo está na segunda posição, com 24,2%, seguido do Ceará, com 10,6%. Um destaque no destino dos couros processados pelas indústrias gaúchas é a República Tcheca, com aumento de 110% em termos físicos e de 61% no monetário. Com o desempenho, este país do Leste europeu passou a ser o oitavo maior cliente do RS.
Fonte: AICSul (17/6/2009)
China encalha calçado do Brasil
O Brasil é o terceiro produtor mundial de calçados, com 800 milhões de pares por ano, superado apenas pela Índia, com 900 milhões, e pela China, com 9 bilhões, mas a crise econômica mundial enfraquece o calçado brasileiro, que, ainda por cima, sofre com a forte concorrência dos importados chineses.
O resultado é uma redução nas vendas externas brasileiras, que, no primeiro quadrimestre do ano, caíram 26,5% na quantidade de pares vendidos, embora o país se mantenha também como o quinto maior exportador mundial, com 165,5 milhões de pares comercializados no ano passado.
O Brasil só perde em volume de exportações de pares de calçados para a Itália (200 milhões), Vietnã (500 milhões), Hong Kong (700 milhões) e China (7 bilhões). A queda nas exportações brasileiras tem consequências sérias para o maior polo calçadista do país, o do Vale do Rio dos Sinos, no Rio Grande do Sul, que tem perdido empresas, postos de trabalho e faturamento.
O Vale dos Sinos, como é mais conhecido, fica a apenas 50 quilômetros de Porto Alegre, capital do estado, e é considerado o maior polo produtor de calçados do mundo. É formado pelos municípios de Araricá, Campo Bom, Canoas, Dois Irmãos, Estância Velha, Esteio, Ivoti, Nova Hartz, Nova Santa Rita, Novo Hamburgo, Portão, Sapiranga, Sapucaia e São Leopoldo, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Mais dois polos calçadistas destacam-se no estado: o Vale do Paranhana, vizinho ao do Rio dos Sinos e a 70 quilômetros de Porto Alegre; que abrange os municípios de Igrejinha, Parobé, Riozinho, Rolante, Taquara e Três Coroas; e o da Serra Gaúcha, a 130 quilômetros da capital, cujos principais municípios são: Bento Gonçalves, Canela, Carlos Barbosa; Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Gramado, Nova Petrópolis e São Francisco de Paula.
Mas é no Vale dos Sinos que se concentra o maior número de fábricas de sapatos do país, desde as mais artesanais até as grandes indústrias, que calçam milhões de brasileiros de Norte a Sul. O calçado feminino é o forte dessa indústria, principalmente em Novo Hamburgo, que ainda hoje, apesar das perdas dos últimos anos, se considera capital nacional do calçado. Na região estão instaladas 80% das fábricas de máquinas para produção de calçados e 60% das produtoras de componentes (fivelas, tiras e outros).
A tradição calçadista de Novo Hamburgo remonta a 1824, quando chegaram os primeiros imigrantes alemães, que fabricavam arreios e botas para montaria. As botas, por sinal, ainda são o calçado mais valorizado na região e, nesta época do ano, de muito frio na região; é grande a variedade de modelos usados pelas mulheres de Novo Hamburgo,
A importância da produção de calçados é enorme, não apenas para a região do Vale dos Sinos, mas para a economia do Rio Grande do Sul em particular: no ano passado, o estado exportou 51,5 milhões de pares, o equivalente a 31% do que o Brasil vendeu no exterior, e arrecadou US$ 1.117,7 bilhões, ou 59,4% do total obtido pelo país no mercado externo com as vendas de sapatos nacionais. Em 2007, havia no estado 2.755 empresas calçadistas (35,2% do país), com 111.966 empregados (37% do setor no Brasil).
Os números não podem, entretanto, ser comemorados pelos que dependem do setor calçadista da região, porque mostram a continuidade de um declínio que vem ocorrendo a cada ano. Em 2007, por exemplo, foram exportados pelo Rio Grande do Sul 69,8 milhões de pares (39,4% do total do país), com um faturamento de US$ 1.215,2 bilhões (63,6% do total brasileiro), um volume muito maior do que o de 2008, sob todos os aspectos.
Fonte: Jornal do Brasil (13/6/2009)
Brasil amplia exportações de calçados para a Europa
Em 2008, a indústria calçadista brasileira comemorou o resultado dos consecutivos investimentos na ampliação das fronteiras.
Mesmo tendo registrado uma queda de 6,4% no total de pares de calçados exportados no ano passado, que passou dos 177 milhões de pares em 2007 para 165,7 milhões em 2008, as empresas nacionais não deixaram de apostar em eventos e ações promocionais para manterem-se firme no concorrido mercado global.
O retorno destes esforços aconteceu com a constatação de que o continente europeu, considerado estratégico para o avanço das exportações de calçados, consolida-se com uma das regiões mais promissoras para os artigos de maior valor agregado produzidos pelas fábricas do País.
Segundo os dados da Abicalçados, a Europa foi responsável por 35,27% do total faturado pelo Brasil no ano passado (US$ 1.881 bilhão), ao pagar US$ 663,4 milhões pela importação de 37 milhões de pares. Isto significa uma fatia de 22,36% sobre o volume exportado pelas indústrias nacionais, que foi de 165,7 milhões.
Importantes países consumidores de calçados, como Itália, Holanda e Portugal aumentaram o volume de compras de calçados procedentes do Brasil e em conseqüência, as divisas pagas pelas importações. Reino Unido, Espanha e Alemanha reduziram a quantidade de pares, mas optaram por adquirir produtos de maior qualidade e, portanto, pagaram mais.
A Itália é o maior exemplo da abrangência cada vez mais acentuada dos produtos brasileiros na Europa. Quarto importador de calçados do Brasil, aquele país elevou o volume de compras em 36,5% em 2008, ao importar do Brasil sete milhões e 499 mil pares de calçados. Em 2007, a quantidade havia sido de cinco milhões e 493 mil pares. Com este desempenho, a Itália gerou divisas para o Brasil na ordem de US$ 149,2 milhões, 78,5% a mais em comparação com 2007.
A Holanda incrementou em 19,5% a quantidade de pares de calçados comprados do Brasil. Importou dois milhões e 208 mil pares contra um milhão e 848 mil pares de 2007. A elevação do preço médio dos calçados causou o aumento do total pago pelas importações e fechou 2008 enviando US$ 46 milhões para os brasileiros, um acréscimo de 24,7%.
Os três milhões de pares que o Brasil exportou para Portugal significaram um aumento de 3,7% no volume de calçados em comparação com 2007 e de 14,5% no valor das importações. Os portugueses pagaram US$ 39 milhões e 288 mil contra os US$ 34 milhões e 324 mil de 2007.
O Reino Unido é o segundo maior importador de calçados do Brasil (o primeiro são os Estados Unidos). Contudo, em 2008 reduziu o volume de pares importados dos brasileiros, registrando um recuo de 16,1%. Em todo o ano passado, os ingleses compraram 10 milhões e 236 mil pares ante os 18 milhões de 2007. Mas a agregação de valor nos artigos fez com que o pagamento aumentasse em 10,8%. O faturamento do Brasil com os embarques para aquele país foi de US$ 254 milhões e 835 mil.
Na divisão das exportações brasileira de calçados por continente, a América do Norte ficou em segundo lugar tanto no volume quanto no faturamento. Ao comprar 46 milhões de pares, aquela região deteve o percentual de 27,76% e com 29,14% no faturamento, ao mandarem para o Brasil US$ 548,2 milhões. Deste volume, os Estados Unidos foram responsáveis pela compra de 37 milhões de pares.
A América do Sul liderou a importação do número de pares. Em 2008, os latinos compraram do Brasil 62,8 milhões de pares, detendo a fatia de 37,92% do total embarcado. Porém, ao importar os calçados a um preço médio de US$ 7,95, ficou em terceiro lugar entre os principais pagadores. Enviou para o Brasil divisas na ordem de US$ 499,7 milhões.
Fonte: ASCOM Abicalçados / Brazilian Footwear (4/2/2009)
Exportações de couros em 2008 movimentaram US$ 1,88 bilhão
A receita da indústria contabilizou saldo negativo de 14% de janeiro a dezembro.As exportações brasileiras de couros, em 2008, somaram US$ 1,88 bilhão, receita 14% menor em relação a 2007, quando foram movimentados US$ 2,19 bilhões, segundo dados elaborados pelo Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB), com base no balanço da Secretaria de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior.
Conforme previsto pelo setor, as vendas externas de couros foram reduzidas em mais de US$ 500 milhões, em relação às expectativas originais da indústria curtidora para este período. No tocante aos couros bovinos, as exportações registraram US$ 1,85 bilhão, decréscimo de 14% nos doze meses de 2008.
A despeito da queda dos embarques, a contribuição do setor curtidor para o saldo de US$ 24,73 bilhões da balança comercial brasileira foi expressiva, representando, até dezembro, quase 8% do total.
"No ano passado, a indústria brasileira do couro sofreu com obstáculos que provocaram a queda contínua das exportações, tanto em receita como em volume, devido ao longo período da apreciação cambial, além dos obstáculos provocados pelo Custo Brasil (altas taxas de juros, burocracia excessiva, precariedade do sistema de infra-estrutura etc.), agravada, agora, pela crise mundial", analisa o presidente do CICB, Luiz Bittencourt.
Na opinião do executivo, as projeções para 2009, em razão da crise que se abate sobre a economia internacional, indicam que este será um período difícil para a maior parte dos agentes econômicos, incluindo o setor curtidor.
"A indústria do couro vem fazendo a sua parte, adotando medidas para se adequar ao novo cenário econômico, com vistas a manter os mercados conquistados, contando, para isso, com o inestimável apoio da ApexBrasil - Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos", diz ele.
O executivo, entretanto, lembra que o setor precisa contar com o respaldo das autoridades brasileiras, para criar um ambiente favorável à geração de riqueza, à manutenção de mercados duramente conquistados e a abertura de novos postos de trabalho.
Como medidas para revitalizar o segmento, o Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil vem propondo ao governo o reajuste no Revitaliza (programa do Governo Federal que concede linhas de financiamento a capital de giro, investimento e exportação), além da agilização nos ressarcimentos de créditos retidos nas exportações.
"Nessa época de incertezas, crédito escasso e negócios reduzidos, o que os setores produtos precisam é de capital de giro", afirma Bittencourt.
Vietnã aumentou 66% as importações de couro
No ano passado, os principais destinos do couro brasileiro foram a China e Hong Kong, ambos com US$ 592,77 milhões (31,52% de participação); Itália, com US$ 511,71 milhões (27,22% de participação); e Estados Unidos, US$ 171,66 milhões (9,13%).
De janeiro a dezembro, o Vietnã foi um dos mercados que mais cresceu (66%), somando US$ 89 milhões. Os demais países que adquiriram o produto nacional foram: a Indonésia comprou US$ 60,3 milhões (incremento de 12%), México, que importou US$ 47,12 milhões, enquanto a Alemanha aumentou suas aquisições em 23%, US$ 39,7 milhões, e a Noruega que importou US$ 30,3 milhões do couro brasileiro (aumento de 71%).
O Centro das Indústrias de Curtumes do Brasil (CICB) é uma entidade federativa que representa, há 52 anos, cerca de 800 empresas de produção e processamento de couro. O complexo industrial emprega cerca de 50 mil pessoas, movimenta um PIB estimado em US$ 3,5 bilhões e recolheu impostos da ordem de US$ 1 bilhão em 2007. Principais estados exportadores
O balanço das vendas externas de couros dos estados brasileiros no acumulado até dezembro, em comparação aos doze meses de 2007, indica que São Paulo continua na liderança estadual (US$ 563,56 milhões, participação de 30% e redução de 28%), seguido pelo Rio Grande do Sul (US$ 509,5 milhões, participação de 27,10% e decréscimo de 4%), Ceará (US$ 186,25milhões, 9,96% e aumento de 30%) e Bahia (US$ 104 milhões, 5,5% e diminuição de 4%). Os demais estados são Paraná (US$ 103,28 milhões), Mato Grosso do Sul (US$ 101,82 milhões), Goiás (US$ 85,43 milhões) e Minas Gerais (US$ 80,2 milhões).
Fonte: Secex/MDIC/CICB (17/1/2009)
Fontes:
CICB - www.brazilianleather.com.br
Abicalçados - www.abicalcados.com.br
Última Atualização: agosto/2009