
2008 e 2009
Em relação ao desempenho de 2008, o primeiro semestre de 2009 foi de fortes oscilações no volume exportado pelo agronegócio (IVE-Agro). Depois de registrar queda de 12% em maio de 2009, em relação a maio de 2008, o mês de junho foi de recuperação e o volume exportado pelo setor expandiu 22,7% na comparação com junho de 2008 e 5,7% comparando-se os dois primeiros semestres.
Os preços em dólares dos produtos exportados do agronegócio (IPE-Agro), que já vinham caindo desde setembro de 2008, acumularam de jan/08 a mar/09 recuo de 10,6%. Entretanto, em abril os preços voltaram a melhorar, seguindo em ascensão. Em junho o recuo de preços em relação a janeiro de 2008 foi de apenas 3,86%. Na comparação dos dois semestres, a retração é de 12,01%.
O câmbio segue desvalorizado em relação ao patamar registrado no primeiro semestre de 2008, refletindo no IC-Agro (índice de câmbio). Em março este, que havia recuado 0,6% em relação a março de 2008, passou a crescer desde então, alcançando em junho desvalorização de 28% quando comparado a junho de 2008, e 10,6% comparando-se os dois primeiros semestres.
A combinação da queda de 12,01% nos preços em dólares com a desvalorização de 10,59% da taxa de câmbio efetiva real do agronegócio resultou em diminuição de 2,49% nos preços em reais (IAT-Agro) - considerando jan-jun de 2009 contra jan-jun de 2008.
2009
No primeiro semestre de 2009, o recuo dos preços de exportação dos produtos do agronegócio em dólares chegou a 12,01%. Entretanto, o volume seguiu em expansão (5,6%), impedindo, desta forma, maior retração no faturamento em dólar do agronegócio (-7,28%), em relação ao mesmo período de 2008.
A taxa de câmbio efetiva real do agronegócio (IC-Agro) apresentou aumento de 10,6% (desvalorização cambial), em relação ao primeiro semestre de 2008, contribuindo, assim, para a atratividade das exportações brasileiras do agronegócio. Entretanto o significativo recuo nos preços em dólares (12,01%) levou os preços em reais (IAT-Agro) a fechar o primeiro semestre com queda de 2,5%.
Exportação por setor
Na primeira metade de 2009, predominou o recuo de atratividade das exportações do agronegócio, comportamento diferente do que ocorreu em 2008, quando grande parte dos produtos registraram aumento de atratividade.
Os produtos com maior atratividade no primeiro semestre, em comparação ao mesmo período de 2008, foram: açúcar (24,28%), farelo de soja (13,39%) e madeira e mobiliário (6,44%). Há ainda a soja em grãos com pequeno aumento de 1%. Entre os produtos com queda de atratividade, destacam-se o óleo de soja, álcool, papel e celulose e carne suína, todos com recuo acima de 16%. Para os demais, a queda de atratividade não ultrapassou 10%.
Apesar da modesta expansão de 1% em sua atratividade, a soja em grãos destaca-se pelo maior crescimento no volume exportado (40,20%) no primeiro semestre de 2009. Na seqüência vieram: açúcar (36,67%), café (19,87%), papel e celulose (11,96%), carne suína (9,04%) e o farelo de soja (7,18%). Os demais produtos registraram recuo no volume exportado, com destaque para a madeira e mobiliário, álcool, óleo de soja, carne bovina e frutas com diminuições superiores a 12%. A carne de frango e o suco de laranja, apesar de apresentarem recuo em seus volumes inferiores a 4%, também sofrem com queda em sua atratividade, agravando ainda mais o faturamento nestas atividades.
Exportações Regionais
Os índices regionais de Preços de Exportação do Agronegócio (IPE-Agro/Cepea/Região) mostram que o primeiro semestre de 2009 foi marcado por reversão na tendência de aumento dos preços em dólares em todas as regiões. Entretanto, vale ressaltar que todos se mantêm em significativa alta, quando comparados ao ano 2000 - o IPE-Agro Brasil cresceu 42% de 2000 a junho de 2009.
As regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste e Sul tiveram aumentos de preços acima da média nacional (162%, 86%, 62% e 61% respectivamente), enquanto que a Sudeste teve expansão menor que a nacional (37%). Vale ressaltar que na região Norte predominam as exportações de produtos da madeira, carnes e animais vivos e oleaginosas; no Nordeste, destacam-se papel e celulose, açúcar e frutas; no Centro-Oeste, grãos e farelos e carnes; no Sul, carnes e grãos; e no Sudeste, açúcar, café, papel e celulose, carnes e sucos de frutas (principalmente de laranja). Nota-se, assim, que entre os produtos do Sudeste estão vários dos que tiveram pior resultado no tocante à atratividade das exportações.
Em relação ao Índice de Volume Exportado pelo Agronegócio, verifica-se que a região Centro-Oeste apresentou um crescimento de 425% de 2000 a junho de 2009, bem acima da média nacional, que foi de 121%. O Nordeste também apresentou evolução acima da nacional, com 149%. Já as regiões Sudeste, Sul e Norte apresentaram variações de 57%, 52% e 40%, respectivamente – portanto abaixo da nacional.
Quando se compara o primeiro semestre de 2009 ao mesmo período de 2008, verifica-se que apenas as regiões Norte e Nordeste apresentaram aumento de preços em dólares dos produtos de exportação do agronegócio. Já as regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste sofreram quedas de 14,07%, 7,74% e 6,13% respectivamente.
Quanto ao volume exportado, as regiões Norte, Sul e Sudeste foram as que tiveram os piores desempenhos, com reduções de 37,18%, 26,27% e 10,67% respectivamente. As regiões Sul e Sudeste enfretam as maiores dificuldades, uma vez que os preços dos principais produtos de sua pauta exportadora também estiveram em queda: no Sul, carnes; e no Sudeste, café, papel e celulose, carnes e sucos de frutas (principalmente de laranja). Por outro lado, a região Centro-Oeste registrou o maior aumento no volume exportado (19,26%), seguida pelo modesto desempenho da região Nordeste (2,22%).
Crise
A crise internacional que se instalou no segundo semestre de 2008 e a consequente redução na demanda internacional refletiram-se no desempenho exportador do agronegócio brasileiro no primeiro semestre de 2009. Em termos de volume, mesmo diante das dificuldades, o setor elevou o montante exportado em 5,6%, comparado ao mesmo período de 2008. Os preços em dólar registraram queda no primeiro semestre (12,01%), mas com ligeira recuperação no último trimestre do período, o que impediu piores resultados no faturamento do agronegócio. No balanço do semestre, houve queda de 7,28%. Com o câmbio desvalorizando 10,5%, a atratividade das exportações recuou apenas 2,5% neste primeiro semestre de 2009, em relação ao mesmo período de 2008.
Quanto aos produtos exportados, o pior desempenho em preços (em Reais), deveu-se ao óleo de soja, álcool, papel e celulose e carne suína: todos com recuo acima de 15% no primeiro semestre de 2009. Em volume, os maiores recuos ocorreram na madeira e mobiliário, carne suína e papel e celulose: quedas também superiores a 17%. Por outro lado, o açúcar e o farelo expandiram mais de 13% em preços e a carne bovina, frutas, farelo de soja e suco de laranja registraram crescimento superior a 11% em volume.
Em relação ao comportamento regional, as regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste sofreram retrações em preços, enquanto as regiões Norte e Nordeste registraram alta. As regiões Sul e Sudeste também foram desfavorecidas devido à queda de volume dos principais produtos que exportam. A região Norte sofreu recuo nos volumes, enquanto as regiões Nordeste e Centro-Oeste registraram aumento.
Quanto às perspectivas para as exportações do agronegócio, o cenário que se vislumbra certamente não é pessimista. Há sucessivas indicações de que a crise mundial já teria superado o “fundo do poço”, com claras tendências de recuperação, mormente em importantes consumidores como China e Índia – e também Brasil – e mesmo no bloco de países desenvolvidos, se bem que com vigor muito menor. O fulcro da crise, ou seja, o rompimento do sistema financeiro e credíticio, também parece ceder, com progressivo retorno à normalidade. Com isso, um segundo semestre de 2009 caracterizado por um ritmo mais acelerado de crescimento e um ano de 2010 mais próximo das taxas anteriores à crise parecem mais prováveis.
Confirmadas essa expectativas, o agronegócio brasileiro tem condições de retomar sua trajetória de sucesso no comércio internacional. Duas possibilidades poderiam frustrar essas antecipações. A curto prazo, o mercado poderia ser surpreendido pela dinâmica de recuperação, ou seja, a retomada que se percebe seria consequência apenas de uma recomposição de estoques face aos estímulos fiscais e monetários aplicados no auge da crise e que tenderiam a se dissipar nos próximos meses, com o que se voltaria a um desempenho mais fraco da economia mundial. A longo prazo, a recuperação poderia ser interrompida por esforços para controlar um processo inflacionário decorrente de uma recuperação muito forte dos preços das commodities turbinada pelo rescaldo dos monumentais estímulos fiscais e monetários acionados em resposta à crise.
Principais parceiros internacionais do agronegócio brasileiro
Considerando o comércio externo no período de 1996-2008, os principais parceiros do Brasil foram Estados Unidos, Zona do Euro e Argentina, que juntos compram 50% do total (em faturamento) do produto brasileiro. Entre outros mercados consumidores dos produtos brasileiros que merecem ser citados estão China, Japão, México, Chile e Reino Unido. Grande parte das importações brasileiras (gerais) é proveniente destes mesmos países, com praticamente 50% dos produtos vindos dos Estados Unidos, Zona do Euro e Argentina. Porém, no decorrer do tempo, verifica-se um ligeiro aumento da diversificação dos países tanto em relação à exportação quanto à importação.
Entre os maiores parceiros comerciais do Brasil, levando em consideração somente o agronegócio, a União Européia é a maior importadora, com 48% das exportações . Em seguida vêm Estados Unidos, China e Japão, com 16,4%, 11,71% e 7,5% respectivamente. No agronegócio também se verifica a tendência de redução da participação dos parceiros mais tradicionais, principalmente dos EUA, e o aumento da participação de Rússia e China.
Pauta de exportação do agronegócio brasileiro
União Européia
A União Européia é o principal comprador de produtos brasileiros em geral e também o maior comprador de produtos do agronegócio especificamente. Em relação a este último, os principais produtos importados entre 2000 e 2008 foram Sementes e Frutos Oleaginosos, na qual se destaca a soja com 18%, Resíduos e desperdícios (farelo de soja) com 15%, Chá, Mate e especiarias (café) com 10%, carnes também com 10% e papel e celulose com 8% – os percentuais se referem à participação de cada grupo de produto no total adquirido por esta região junto ao agronegócio brasileiro.
Estados Unidos
Os Estados Unidos, segundo maior comprador de produtos brasileiros, importaram do agronegócio principalmente Madeira e Mobiliário (24%), Calçados (20%), Papel e Celulose (13%) e Chá, Mate e especiarias (9%) no período de 2000 a 2008.
China
A China importa do Brasil principalmente soja, na forma de grãos e óleo (57% e 16%, respectivamente). Além disso, ressaltam-se as exportações de Papel e celulose (9%).
Rússia
A Rússia, que compra 7,5% dos produtos brasileiros do agronegócio, importa predominantemente Carnes (52%) e açúcar (37%).
Demais parceiros
Outros seis parceiros comerciais juntos compram 16,6% das exportações brasileiras do agronegócio. A Argentina importa do Brasil principalmente Papel e celulose (24%), produtos da indústria têxtil (19%) e Máquinas e implementos (18%). O Japão compra Carnes (36%), Chá, Mate e Especiarias (14%), Sementes e frutos oleaginosos (10%) e papel e celulose (10%). O México importa Madeira e Mobiliário (15%), Máquinas e implementos e calçados (14%) e sementes e frutos oleaginosos (10%). O Chile importa Carnes (24%), Papel e celulose (23%) e têxtil (9%). O Reino Unido adquire do Brasil Madeira e Mobiliário e Carnes (15% cada), preparados de carne (12%) e sementes e frutos oleaginosos (11%); a Coréia compra Resíduos e desperdícios (farelo de soja, 24%), Sementes e frutos oleaginosos (17%), Cereais (15%) e Papel e Celulose (10%).
Índices de exportação do Agronegócio
Devido às diferentes composições das exportações para cada um dos parceiros comerciais, há diferentes evoluções de preços dos produtos exportados de acordo com o destino.
Há um grupo de parceiros comerciais cujos preços em dólares dos produtos do agronegócio exportados aumentaram menos que 50% entre 2000 e 2008. Para outros importadores, os preços ficaram em uma posição intermediária; por fim, há a China , caso em que os preços aumentaram mais que 100%.
México, Estados Unidos, Argentina e Chile foram os países com baixa evolução dos preços de exportação (33,7%, 36%, 43,3% e 47,4% respectivamente).
Dentre os países de destino das exportações brasileiras, a China é um mercado comprador bastante importante, seja pela sua dimensão, ou pelo tipo de produto comprado.
Material elaborado por Geraldo Barros e Adriana Ferreira Silva para o CEPEA - Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada. Disponível em www.cepea.esalq.usp.br
Notícias do Setor
Milho terá menor área desde os anos 60 / Mauro Zafalon
Abastecimento interno vai depender do bom desempenho da safrinha, que é uma incógnita devido aos problemas climáticos.
Produtores caminham para a soja, cuja área plantada pode subir para 22,8 mi de hectares; a de milho, porém, deverá recuar para 8,3 mi.
O Brasil vai plantar neste verão a menor área de milho desde a década de 1960. Essa redução na área destinada ao milho ocorrerá porque o produtor está caminhando perigosamente para a soja.
Perigosamente porque coloca uma pressão de produção muito grande na safrinha do próximo ano para o abastecimento interno. E a safrinha sempre é uma incógnita devido aos problemas climáticos, principalmente geadas, avalia André Pessôa, da Agroconsult.
Perigosamente, ainda, porque, se confirmada essa tendência, haverá grande oferta de soja e queda na de milho. Com esse cenário, a situação vai estar mais favorável para os produtores de milho do que para os de soja, diz Leonardo Sologuren, da consultoria Céleres.
Os números confirmam as preocupações desses analistas. A área destinada à soja pode subir para 22,8 milhões de hectares, enquanto a de milho deverá recuar para 8,3 milhões.
Esses números ficam ainda mais preocupantes porque a Argentina, outro país importante na oferta mundial de grãos, deve elevar a área de soja para até 19 milhões de hectares e reduzir a de milho para apenas 2 milhões de hectares.
Os produtores brasileiros de soja têm notícias ruins também do mercado norte-americano, onde a produção deve subir para 87 milhões de toneladas.
Na soma total, os principais produtores de soja das Américas devem atingir 214 milhões de toneladas da oleaginosa na safra 2009/10.
Se confirmado, esse volume supera em 36 milhões o da safra anterior. Ou seja, o correspondente às importações da China, país que consegue influenciar os preços internacionais devido ao elevado volume de importações. Diante desse cenário, já há previsões para uma soja a apenas US$ 6 por bushel -hoje o preço é de US$ 10,80.
Sologuren diz que o produtor está olhando apenas para o momento atual, quando a soja é mais rentável que o milho. Este último tem altos estoques, exportações reduzidas e preços baixos. O mercado está sem liquidez. "Olhando apenas para hoje, o produtor plantará soja."
Mercado nervoso
O Brasil tem um potencial de exportação de 8 milhões a 9 milhões de toneladas de milho no próximo ano. Se conseguir, os preços estarão aquecidos no segundo semestre de 2010, diz Sologuren.
Com essa queda na safra de verão, "a safrinha, que está sempre sujeita a riscos maiores, tem obrigação de ir bem", acrescenta Pessôa. Se hoje os estoques estão folgados e os preços, baixos, daqui a um ano a situação pode estar mais complicada na oferta desse produto, segundo ele.
Mas se o clima for bom na safrinha do próximo ano e o país não conseguir exportar, o cenário para o milho, a exemplo do da soja, também poderá não ser satisfatório. "São muitas as variantes", diz Sologuren.
Se a médio prazo a situação é incerta, a curto é pior ainda. Segundo Pessôa, os produtores de Mato Grosso deveriam ter um subsídio para sustentar os gastos com o frete. Mesmo com a ida de várias indústrias de carnes para a região, há uma sobra grande de milho que precisa sair rápido da região.
Citando dados do Imea (Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária), Pessôa diz que já são 520 mil toneladas de milho amontoadas ao ar livre. "Isso torna o mercado nervoso e traz desânimo ao produtor, que acaba indo na mesma direção da maioria, sem uma avaliação correta do mercado", diz Sologuren.
Mas nem todas as previsões indicam para preços bons para o milho no próximo ano. Os Estados Unidos estão produzindo a segunda maior safra da história e terão 55 milhões de toneladas para exportação, o que pode inibir a presença brasileira no mercado externo.
Fonte: Folha de São Paulo (25/8/2009)
Índia irá aumentar a importação de óleos e sementes comestíveis
O governo isentou de impostos a importação de óleos comestíveis brutos, mas os refinados ainda pagam 7,5% de imposto para entrar no país
A Índia deverá elevar a importação de sementes e óleos comestíveis para recuperar seus estoques de segurança, depois que uma estiagem prolongada quebrou a safra de verão. A esperança do país, agora, recai sobre a produção de inverno.
O ministro de Finanças, Pranab Mukherjee, afirmou, depois de reunião com outros representantes do governo para avaliar a situação, que o governo decidiu manter o equilíbrio entre oferta e demanda via importação, para qualquer produto que isso seja necessário. A seca atingiu 246 dos 625 distritos administrativos do país. O volume das chuvas de monção ficou 26% abaixo da média no período de 1º de junho a 19 de agosto.
O Departamento de Meteorologia da Índia já tinha previsto que as chuvas da estação das monções - junho a setembro - ficariam substancialmente abaixo da média, reduzindo o plantio e danificando lavouras em muitas partes do país. Mas a ocorrência de chuvas, nos últimos sete dias, sobre o norte do país limitou os danos em áreas de arroz, cana-de-açúcar e sementes comestíveis.
O ministro de Agricultura, Sharad Pawar, acredita que as lavouras de inverno enfrentarão menos problemas. "Prevemos aumento e antecipação do plantio de inverno. Esta é uma boa oportunidade para assegurar que o trigo será plantado a tempo", disse, referindo-se às chuvas da última semana. Segundo ele, o governo vai intensificar os esforços para elevar a área com trigo em novas regiões, como o leste de Uttar Pradesh, Bihar e West Bengal.
Mukherjee, ministro de Finanças, disse que os atuais estoques de segurança são adequados para lidar com a situação. "Começamos o ano com bom volume nos estoques. A quantidade normal para o trigo é quatro milhões de toneladas, e, para o arroz, 5,2 milhões de toneladas". A Índia ainda tem mais três milhões de toneladas de trigo e dois milhões de toneladas de arroz nas reservas estratégicas. Já a oferta de óleos e sementes comestíveis terá de ser balanceada com importações.
O governo isentou de impostos a importação de óleos comestíveis brutos, mas os refinados ainda pagam 7,5% de imposto para entrar no país, que espera comprar entre sete milhões e 7,5 milhões de toneladas de óleos comestíveis até 31 de outubro. A Índia é o maior consumidor e o maior importador mundial de sementes comestíveis, com demanda de 17 milhões a 18 milhões de toneladas por ano, e produção de apenas 15 milhões de toneladas. A importação está isenta de impostos até março de 2010. A exportação foi proibida pelo governo.
Fonte: Agência Estado / DCI (25/8/2009)
Exportação de produtos agrícolas cai 20,7% em julho
Venda de açúcar continua ocupando lugar de destaque na balança comercial do agronegócio, diz Ministério.
As exportações de produtos agrícolas renderam US$ 6,287 bilhões no mês de julho de 2009, o que significou uma queda de 20,7% em relação a julho de 2008, informou o Ministério da Agricultura. As importações também caíram. A queda foi de 29,5% em relação a julho do ano passado, para US$ 795,9 milhões. Os técnicos do ministério minimizaram a queda e lembraram que julho de 2008 - usado como base de comparação - foi o mês que registrou o maior valor exportado da série histórica, que teve início em 1989.
De acordo com o governo, as exportações de açúcar continuam ocupando lugar de destaque na balança comercial do agronegócio. Os embarques desse produto no mês passado renderam US$ 761 milhões - um aumento de 35,1% em relação a julho de 2008. O crescimento dessas exportações é resultado da elevação de 19,1% nos preços no mercado internacional e de 13,4% na quantidade embarcada. As exportações de álcool recuaram, em dólares, 37,7%, totalizando US$ 175 milhões - resultado da queda de 18,3% na quantidade exportada e de 23,7% no preço.
Segundo o Ministério da Agricultura, o açúcar brasileiro está ganhando espaço no mercado internacional por causa da quebra de safra na Índia. As exportações para aquele país, no mês passado, cresceram 200% em relação a julho de 2008. No total, as vendas externas do complexo sucroalcooleiro passaram de US$ 844 milhões para US$ 936 milhões, na comparação entre os meses de julho de 2008 e 2009.
Além da Índia, tiveram variações positivas nas exportações brasileiras as compras feitas por Tailândia (126,1%), Indonésia (77,5%), Emirados Árabes Unidos (77,3%) e Coreia do Sul (74,7%). O Oriente Médio (7,2%) e a África (0,3%) foram as regiões que também apresentaram aumento nas vendas brasileiras, em julho.
Já a compra de produtos no exterior teve redução, em reais, de 14,4%, isto é, de R$ 1,8 bilhão para R$ 1,54 bilhão. Em dólar, a variação negativa foi de 29,6% em julho de 2009, comparada ao resultado de julho do ano anterior, passando de US$ 1,129 bilhão para US$ 795 milhões. Os gastos com a importação de trigo representaram mais de 15% do total - de US$ 208 milhões, em julho de 2008, para US$ 87 milhões, em julho de 2009. Isso significou uma queda de 37,6% na quantidade importada e uma redução de 33,2% no preço médio. Os valores importados de arroz e milho aumentaram 38,6% e 63,1%, respectivamente.
Fonte: Agência Estado (14/8/2009
Exportação de farelo compensa queda na venda da soja em grão / Danilo Sanches
As exportações de farelo de soja do Brasil para a Europa devem compensar a queda das vendas externas do grão até o final do ano.
Nem mesmo a sinalização da Índia, gigante asiática no farelo de soja, de aumentar sua produção deve afetar as vendas brasileiras no segmento. "Mesmo a impressão de queda nas exportações, que pode acontecer no segundo semestre, os resultados do ano deverão ser positivos", diz Carlo Lovatelli, presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag).
Na terça-feira, a China indicou uma desaceleração de compras da soja em grão depois de importações recordes para a formação de reserva.
A Índia deve comercializar no ano que vem mais de 3,5 milhões de toneladas do farelo. Nos próximos dois meses, Nova Délhi deve alcançar uma remessa de 400 mil toneladas do farelo - o que representa recuperação da queda de 37% sofrida no período de dez meses a se encerrar em 31 de agosto. As informações foram dadas ontem por Rajesh Agrawal, porta-voz da Associação dos Processadores de Soja da Índia. Segundo Agrawal, as exportações para 2010 serão ajudadas pelas 500 mil toneladas estocadas pelos produtores indianos.
A safra de soja da Índia não foi afetada pela seca que prejudicou os sojicultores da Argentina e do Brasil. O País colherá 57,1 milhões de toneladas, em relação ao previsto de 57,6 milhões de toneladas. A Argentina, que enfrenta a pior seca dos últimos 40 anos, deve colher 31% menos que na última safra - o equivalente a 31,9 milhões de toneladas do grão.
Lovatelli estima que a área de cultivo de soja no Brasil aumente cerca de 3 a 4% para a próxima safra. Segundo o presidente da Abag, o governo do Mato Grosso - estado responsável por 30% da produção de soja no País - deve aumentar em 2,5% a área de cultivo da oleaginosa. A previsão é de que a produção avance sobre a área de milho.
Ainda de acordo com Lovatelli, o avanço da área de cultivo da soja não afetará a produção de milho no País, que tem grandes estoques.
USDA
Também ontem, o governo norte-americano anunciou que a produção de soja nos Estados Unidos ficará abaixo do estimado. Segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), a produção vai chegar a 3,2 bilhões de bushels do grão contra 3,26 bilhões de bushels previstos em julho. Os contratos futuros da soja norte-americana aumentaram 5,8% na última semana em função da sólida demanda pelas exportações.
Fonte: Bloomberg em DCI (14/8/2009)
30% da carne exportada no mundo sai do Brasil / Maria Gabriela Tonini
Em 2008 cerca de 30% de toda a carne bovina exportada no mundo teve origem no Brasil.
Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), em 2008 as exportações de carne bovina do mundo totalizaram 7,5 milhões de toneladas equivalente carcaça (tec). O Brasil exportou 2,2 milhões de tec segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), portanto uma representatividade de 30% aproximadamente.
Desde 1996 a participação do Brasil no mercado mundial de carne bovina só aumentou. Passou de uma singela participação de 5,7% em 1996 para os atuais 30%, sendo que eu 2006 e 2007, essa parcela ultrapassou os 30%.
A melhoria do status sanitário do Brasil, o aumento da produção de carne, a melhoria dos processos de produção e industrialização favoreceram esse aumento na importância da carne brasileira no mercado internacional.
Fonte: Scot Consultoria (18/7/2009)
Agronegócio tem superávit de US$ 6,6 bilhões
A balança comercial do agronegócio registrou, em junho, o melhor resultado do ano, com retomada do crescimento das exportações em dólar e superávit de US$ 6,6 bilhões, impulsionado pelo aumento dos embarques internacionais dos complexos soja (48,9%) e sucroalcooleiro (21,6%) e de fumo e seus produtos (54%). No último mês, as exportações totalizaram US$ 7,3 bilhões, aumento de 12% em relação ao mesmo período de 2008.
Na análise da mais recente balança comercial do agronegócio em moeda brasileira, as exportações do mês de junho fecharam em R$ 14,3 bilhões e as importações, em R$ 1,4 bilhão, com saldo de cerca de R$ 12,9 bilhões. O crescimento das quantidades exportadas de soja em grão e farelo foi responsável pelo aumento de quase 50% no valor das exportações desse complexo. Em junho, as exportações de soja em grãos cresceram 71,3% em relação ao mesmo período do ano passado, saindo de US$ 1,5 bilhão para US$ 2,577 bilhões. O número resultou do aumento de 74,2% no volume exportado com preços 1,7% inferiores sobre 2008.
Houve crescimento também no valor das exportações do complexo sucroalcooleiro, que passou de US$ 703 milhões para US$ 855 milhões, motivado pelo salto de 39,7% nas exportações de açúcar no mês de junho se comparado ao mesmo período de 2008, e chegou à cifra de US$ 706 milhões. Cresceu preço e quantidade das exportações, respectivamente 13,3% e 23,3%.
Fonte: DCI (15/7/2009)
Milho brasileiro avança nos mercados de países emergentes / Gilmara Botelho
No primeiro mês do ano, o Brasil entregou milho em destinos até então dominados pelo grão americano e argentino, os dois maiores exportadores respectivamente.
O crescimento de 166,5% das exportações do cereal brasileiro verificado em janeiro, na comparação com o mesmo período do ano passado, foi sustentado pelas compras realizadas pelos chamados países emergentes.
Só os países Árabes importaram 221 mil toneladas no período, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). Em nenhum outro ano, o Brasil negociou milho com esses países em janeiro. O volume de um único mês foi 72% maior que aquele entregue ao longo de todo o ano de 2007 quando foram vendidas apenas 128,3 mil toneladas.
A receita referente à essa entrega inusitada aos árabes ficou em US$ 42,5 milhões. A Arábia Saudita foi responsável por US$ 26,1 milhões desse montante. Marrocos e os Emirados, também importaram US$ 15,6 milhões e US$ 784 mil, respectivamente. A maior parte do milho exportado partiu do Paraná e do Mato Grosso.
Paulo Molinari, da Safras & Mercado, explica que a preferência pelo milho brasileiro por parte dessa fatia do mercado internacional pode ser justificada pelo preço da tonelada do cereal, US$ 20 mais barata que a americana e a argentina. "Os traders daqui conseguiram manter um deságio nos primeiros negócios do ano graças aos leilões de PEP ( Prêmio por Escoamento da Produção) do governo, mas eles já foram suspensos", pondera o analista.
Além dos países Árabes, a Malásia também se destacou no ranking de países compradores do milho brasileiro. Em janeiro de 2009, o pouco habitual comprador asiático importou 123,8 mil toneladas do cereal, 38% de todo o volume embarcado para lá ao longo de 2008 - um ano antes a Malásia nem figurava na lista de compradores do grão colhido no Brasil.
Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) indicam que a média anual histórica de importação do país é de 2,5 milhões de toneladas. Mas este ano, essa média deve ser superada em 300 mil toneladas graças ao aumento no consumo de carne suína restaurado naquele país, estima o Usda e os players exportadores. "Já tínhamos 13% desse mercado e com o excedente que ainda nos resta devemos ampliar nossa participação", calcula Lucílio Alves, pesquisador do Centro de Estudos Avançados em Economia Agrícola (Cepea).
A Coreia do Sul, que no ano passado foi o nono maior comprador do milho brasileiro com 319,2 mil toneladas importadas, já garantiu em 2009 199,2 mil toneladas do cereal brasileiro. Em 2007, nessa mesma época do ano, o país não tinha importado nem uma tonelada sequer. Naquele ano a Coreia foi responsável pelo consumo de mais de 660 mil toneladas do grão de origem brasileira.
De acordo com análise do pesquisador do Cepea, o estoque enxuto de trigo, em especial na Ásia, foi um outro fator favorável ao acesso desses importadores. "A possibilidade de acessar mercados emergentes é maior", complementa Lucílio Alves. O Irã importou outras 145 mil toneladas do milho brasileiro.
Mas o Brasil não precisou acessar somente mercados emergentes para garantir uma exportação recorde de 1,326 milhões de toneladas do grão em janeiro. A Colômbia foi responsável pela compra de 159,4 mil toneladas. O antigo comprador do milho argentino também veio buscar milho mais barato por aqui.
Contudo, essa demanda deve ser mais contida este mês, estima Molinari. "Em fevereiro o cenário já está um pouco diferente. O deságio está entre US$ 5 e US$ 10", calcula. Para o analista, os embarques de fevereiro devem ficar em torno de 800 mil toneladas. "E em março, a fila de embarque que já começou a se formar nos portos deve ser ainda menor", aposta Molinari.
A estimativa do analista é contraria pelos números argentinos. O governo daquele país só autorizou a exportação de seis milhões de toneladas de milho da safra atual, pelo menos por enquanto. Até o carnaval 480 mil toneladas do grão brasileiro já haviam partido rumo ao mercado externo só do porto de Paranaguá, informa Lucílio Alves
Fonte: Gazeta Mercantil (25/2/2009)
Fontes:
Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada - www.cepea.esalq.usp.br
Portal do Agronegócio - www.portaldoagronegocio.com.br
Última atualização: outubro/2009